Exposição:
Mundos Paralelos
Sobre Mundos Paralelos
A exposição Mundos
Paralelos fala sobre
o mundo concreto que nos rodeia, apresentando fotografias e desenhos.
Mas as referências que nos cercam são deslocadas, sofrem
uma espécie de “giro”, um deslocamento de sentido
em direção a algo que já não é o
nosso mundo concreto, mas que se refere a ele.
As fotografias de cenas
registradas em um circo já não falam do próprio
circo, mas estão deslocadas de sua origem quando são
tomadas pela escuridão que cerca as imagens. O mesmo ocorre em Paisagem de Luz,
onde a imagem de um edifício em construção está
deslocada da cidade, podendo ser um edifício em qualquer
lugar, ou em lugar nenhum.
Universos Paralelos faz referência ao mundo concreto em que vivemos (representado
pelo mapa da cidade) e ao universo que nos cerca (que na realidade é
nosso próprio mundo também), o céu. O mapa da
cidade dentro de uma caixa de luz ilumina o próprio céu
(uma placa com furos que representam estrelas), sendo ambos
interdependentes em sua existência – mapa e céu. Universos Paralelos refere-se ainda a
essa relação entre a realidade em que vivemos e o céu
que está sobre nós, relação que é
traçada pelos homens há dezenas de séculos. O
desenho do céu e da cidade são mundos paralelos onde,
entre eles, vivemos.
O mundo (até o fim) são
fotografias que registram o derretimento de um gelo em forma de mapa
da Antártida. Nestes seis momentos (em seis fotografias), o
desenho do mapa perde seus contornos e, pouco a pouco, torna-se mais
etéreo e indefinido. A referência deste mapa perde-se
com o derretimento do gelo.
Se os mapas são desenhos
que representam lugares, são como as letras, que também
são desenhos e estão no lugar da linguagem falada
representando a linguagem escrita. As letras que não formam
textos perdem sua função original de criar significados
compreensíveis. Em Mapa
II (Porto Alegre), elas já não
servem para formar um texto, estão ali formando um mapa. No
trabalho sem título
(letras na parede),
as letras tomam conta do espaço, como se as páginas de
um livro estivessem perpendicularmente cravadas na parede.
As letras continuam sendo
letras, mas estão deslocadas de sua função
original de criar sentido através da linguagem. Já os
mapas são sempre entendidos como mapas, mesmo que seu desenho
não guarde a precisão da geografia que representam. Cartografia Precisa é
uma série de trabalhos nos quais sobre páginas de Atlas
geográficos são sobrepostos desenhos da mesma região
representada, só que de outro Atlas. A variação
do tipo de representação geográfica, além
de imprecisões dos próprios mapas, são
evidenciados. Afinal, mapas são desenhos.
Entre o mundo que nos cerca e o
universo da linguagem construída, Horizonte cria uma conexão
gráfica, uma linha que é contínua que vem desde
o horizonte do mar até a dobra da página de um livro.
Mundos paralelos fala de desenho, de imagens, mas basicamente de representações
do mundo que nos cerca, essas mesmas representações que
formam o mundo como nós o conhecemos. Deslocando o olhar,
deslocando o sentido de seu lugar original, ali está, um outro
mundo que se abre, um mundo paralelo que dialoga com o mundo em que
vivemos.
Marina
Camargo
Porto
Alegre, agosto de 2009
Notas
gerais sobre a exposição Mundos Paralelos, de Marina
Camargo:
Inauguração:
12 de agosto de 2009, quarta-feira, às 20 horas.
Exposição:
13 de agosto a 12 de setembro de 2009.
Horários
de visitação: segunda a sexta, das 10:30, às
19:00 horas; sábados, das 10:00 às 13:30 horas.
Contato
da galeria: Rua Quintino Bocaiúva, 1115, telefone 51
33316459, bolsadearte@bolsadearte.com.br,
www.bolsadearte.com.br.
A
exposição é de fotografias e desenhos.
A
artista trabalha diversos meios e mídias explorando
concepções relacionadas a desenho, num sentido
amplo do termo.
Marina
Camargo trabalha com diferentes imagens e referências,
procurando explorar esses elementos que encontra no dia-a-dia em
variadas situações de maneira a tornar os mesmos
estranhos e desconhecidos a um primeiro olhar. Seja uma página
de um livro e uma fotografia do mar, fotografias de um circo, de um
edifício em construção ou um mapa da cidade,
esses elementos já conhecidos formam o trabalho da artista,
que busca um olhar inusitado para esses elementos que encontra no
cotidiano.
Informações
sobre os trabalhos da exposição:
O mundo (até o fim)
Fotografias
do derretimento de um mapa feito em gelo da Antártida. São
6 fotografias que registram esse derretimento.
Dimensões:
45x60cm cada foto (6 fotos no total)
Ano:
2009
Circus (Coney Island)
Fotografias
de uma apresentação de circo.
Dimensões:
84x84cm
Fotografias
em caixas de luz
Ano:
2009
Paisagem de Luz
Fotografia
de um edifício em construção (registrado na
cidade de Nova York, onde todos as construções são
todas iluminadas durante à noite).
Dimensões:
75x100cm
Mapa II (Porto Alegre)
Um mapa
turístico da cidade de Porto Alegre é redesenhado com
letras, de modo que cada quadra é desenhada a partir uma
letra. As letras não escrevem nenhum texto, mas o desenho do
mapa da cidade permanece ali.
Dimensões:
80x90cm
Material:
desenho impresso sobre papel fotográfico
Ano:
2009
Sem título (letras na parede)
As letras
de páginas de livro são “cravadas” na
parede, como se as páginas entrassem perpendicularmente na
parede.
Dimensões:
variadas
Material:
peças em acrílico
Ano:
2008
Horizonte
A
fotografia é usada para criar o desenho da linha do horizonte:
o horizonte de um mar é continuado pela linha que forma com a
dobra da página de um livro. São duas fotografias
mostradas lado a lado, onde a linha do horizonte em contínua
entre ambas as fotos.
Dimensões:
50x50cm (cada foto) / díptico
Material:
fotografia
Ano:
2008
Cartografia Precisa
Série
de trabalhos nos quais sobre páginas de Atlas geográficos
são sobrepostos desenhos da mesma região representada,
só que de outro Atlas. A variação do tipo de
representação geográfica, além de
imprecisões dos próprios mapas, são
evidenciados.
Dimensões:
variadas
Material:
páginas de Atlas geográficos, poliéster,
fotolito.
Ano:
2009
Universos Paralelos
O mapa de
Porto Alegre (em uma caixa de luz) é posto paralelo a uma
placa com furos que desenham as estrelas do céu. De frente,
vê-se um céu estrelado; pela lateral, vê-se o mapa
da cidade em uma caixa de luz, que ilumina o próprio céu.
Dimensões:
60x60cm
Material:
impressão, caixa de luz, placa de acrílico.
Ano:
2009
